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  • Lady Brigitte

Relato da minha primeira sessão e o que mudou depois que me tornei dominatrix.





Lembro como se fosse ontem da minha primeira sessão em que estive sozinha com um estranho. Foi um dia em que deu tudo errado! Ia ser uma sessão com podolatria e no dia eu fui na podóloga, só que lá não havia quem pintasse a unha e eu fiquei correndo feito uma louca para encontrar alguém que pudesse pintar.


Poucas horas antes da sessão, ainda sem encontrar uma manicure disponível, meu celular voou de três andares no Shopping e se espatifou no chão. Eu correndo contra o tempo fui à uma loja para comprar um celular novo, mas não conseguia ligar, nem cadastrar para falar com o submisso. Até consegui quem pintasse minhas unhas, mas estava desesperada sem saber como falaria com ele!


Chegando em casa a única saída que encontrei foi pedir o celular da minha mãe para abrir meu Instagram e poder falar com o sub. Ela viu eu me arrumando, chorou e perguntou se ela pedisse para eu não ir se isso adiantaria. E eu disse muito seca:


- Não.


Não que eu não sentisse nada, não que não me doesse ver ela daquele jeito, não que eu não soubesse que era difícil para ela, também era difícil para mim. Só que independente de tudo parecer ir contra, eu estava a favor. Estava a favor do meu desejo, do meu prazer, de mim. Estava certa de que era aquilo que queria fazer.


E estava nervosa, muito nervosa! A ponto de esquecer meu RG em casa. Por sorte tinha outro documento e consegui entrar no hotel.

Andava em círculos em um quarto enorme do Hyatt com uma vista linda para a Ponte Estaiada. Acho que não conseguia nem disfarçar o nervosismo antes de começar.


Lembro que já fui com a roupa da sessão, mas coberta por um sobretudo. Não tinha nenhum acessório e nem me preocupava com isso, eu estava lá de corpo inteiro com todo o meu desejo e excitação, morrendo de vontade de viver aquele momento intensamente.


Nada se compara ao prazer que senti tendo o poder em minhas mãos sobre um homem aos meus pés para fazer o que eu tivesse vontade durante duas horas. Naquele dia eu soube que eu queria mais daquilo, não só queria, como precisava. E dali em diante, me prometi que faria as minhas vontades.


Desde a minha primeira sessão, fiquei bastante tempo sem fazer sessão em hotel e quando retornei ao hotel eu já era uma dominatrix. Foi aí que passou filme pela minha cabeça de tudo que aconteceu desde a minha primeira sessão até aqui. Foi tanta coisa de lá pra cá, foram tantos erros, acertos, estudos, sessões...


Ao contrário da primeira sessão dessa vez eu cheguei ao local com uma roupa básica, de calça jeans, maquiagem leve, bem discreta, a não ser pela mala enorme de acessórios, roupas, botas e sapatos de Dominatrix, mas o conteúdo era segredo meu e do meu submisso.


Calma e confiante conversei informalmente antes de começar com o sub sobre o role play. Naquela noite eu seria a chefe e ele meu subordinado, esse foi o combinado. Se essa conversa tivesse acontecido na primeira vez, acho que eu teria surtado e corrido.


Em seguida fui me arrumar no meu tempo. Eu sabia o que estava fazendo e não estava com medo. Comecei com Shibari e me diverti durante duas horas com tantas práticas que acho que algumas eu nem conhecia quando fiz minha primeira sessão.


Sempre digo que toda sessão é única e realmente é. São pessoas diferentes que se entregam de formas diferentes e me ensinam coisas diferentes. Cada submisso é único e tenho um carinho especial por cada um deles. Nunca esqueço o que aprendo com cada um.


Fazendo uma retrospectiva, tenho claro que o maior aprendizado no final é sobre mim. Com muitos acessórios ou sem nenhum, com ou sem experiência, o que realmente importa é que estou lá totalmente presente, entregue aos meus desejos, me permitindo e permitindo que alguém confie e entregue seu prazer em minhas mãos.


O submisso me perguntou antes de começar se eu sinto prazer sendo dominadora profissional. E eu respondi com a minha verdade absoluta, a lição que aprendi na primeira sessão: Minha vontade é soberana!


- Se eu não tiver vontade, nem saio casa.


Na volta, depois de uma sessão intensa eu pensei: Que bom que eu tive coragem de seguir a minha vontade, sair de casa e ir fazer aquela minha primeira sessão em um hotel há tanto tempo… Que bom que eu continuo fazendo as minhas vontades, como fiz hoje. Como é bom ir embora com a sensação de que eu fiz a escolha certa!




Foto: Mário Moreno



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