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  • Lady Brigitte

Afinal, o que é ser mulher?



Hoje é o Dia Internacional da Mulher e eu não estou feliz com o cenário político atual. Continuamos com um congresso em maioria de homens, brancos, ricos, conservadores, moralistas e lidamos com a ascensão de uma bancada evangélica que se empenha no retrocesso de direitos de minorias, como as mulheres.


A desigualdade ainda é grande, estamos mais próximas de direitos do que no século passado quando a data foi criada, mas ainda distantes da equidade de gênero.

Quero trazer aqui a reflexão da importância de construir uma luta de mulheres mais unida contra os verdadeiros inimigos: o se.xis.mo, o classismo e o racismo.


Há muitas formas de viver a experiência de ser mulher e acredito que só com o olhar sensível à interseccionalidade pode nos juntar. Afinal, o que é ser mulher?


Precisamos pensar nas cisões entre mulheres, se segundo Simone de Beauvoir as mulheres são consideradas como “o outro” em relação ao homem branco, essa formulação já foi complexificada por autoras feministas negras que situaram as mulheres negras como o outro da mulher, como Grada Kilomba e Djamila Ribeiro.


O argumento da outridade também pode ser aplicado às trabalhadoras se.xu.@is quando a análise recai sobre as moralidades e as relações entre se.x0, afeto, trabalho e dinheiro.


Você já pensou no que significa ser uma put@, transgênero, travesti, negra que exerce seu trabalho na rua? Uma mulher cisgênero branca de classe média não vive a mesma experiência de uma mulher transgênero negra e pobre que convive com a transfobia, o estigma, o racismo e a pobreza ao mesmo tempo.


Se umas parecem ser uma espécie “o outro” da própria mulher, isso aparentemente pode dar permissão para homens e mulheres as sentenciarem à exclusão social. Parafraseando o livro de bell hooks “E eu não sou uma mulher?” e trazendo para o contexto do meu trabalho, questiono: E a put@, a dominatrix, a atriz pornô, a camgirl, a travesti, a trans, a lésbica, a negra, também não é uma mulher? Eu sou e elas também.


Se umas parecem ser uma espécie “o outro” da própria mulher, isso aparentemente pode dar permissão para homens e mulheres as sentenciarem à exclusão social.


Parafraseando o livro de bell hooks “E eu não sou uma mulher?”, questiono: E a put@, a dominatrix, a atriz pornô, a camgirl, a travesti, a trans, a negra, a deficiente, a indígena, a pobre, a analfabeta também não é uma mulher? Eu sou uma mulher e elas também. E vocês precisam nos ouvir.



A luta de um feminismo para todas só é possível se ele não apagar opressões!


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